XII ExpoPrata: Wellington Dias conhece produção de leite de cabra e mira expansão do setor para o mundo
Escrito por Jacqueline Oliveira em 28/08/2026
O município da Prata, no Cariri paraibano, recebeu nesta quinta-feira (27) uma visita que colocou a produção de leite de cabra da região no centro das discussões sobre desenvolvimento, segurança alimentar e geração de renda. O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, esteve no município durante a programação da 12ª ExpoPrata, um dos principais eventos de caprinovinocultura da Paraíba.
Responsável, no Governo Federal, por políticas relacionadas à assistência social, segurança alimentar, combate à fome e programas de inclusão e geração de oportunidades, Wellington Dias cumpriu agenda no Cariri com foco na agricultura familiar, na caprinovinocultura e no fortalecimento das atividades econômicas adaptadas à realidade do semiárido.
Segundo o ministro, a estratégia para o semiárido não deve ser baseada apenas no combate à seca, mas na criação de condições para que agricultores e produtores possam conviver com as características climáticas da região.
Prata mostra ao ministro a força da caprinocultura
Na Prata, Wellington Dias foi recebido pelo prefeito Genivaldo Tembório, além de autoridades, produtores, criadores e lideranças do Cariri.
Um dos principais momentos da agenda foi a visita técnica à Associação de Caprinos e Ovinos da Prata (ACCOP), localizada no Sítio Tanquinho. No local, o ministro conheceu a estrutura da entidade, conversou com produtores e acompanhou de perto atividades relacionadas à produção regional.
A escolha da Prata para a agenda não foi por acaso. O município é reconhecido pela força da caprinovinocultura e pela importância da produção de leite de cabra para a economia local e regional.
Depois da visita técnica, Wellington Dias participou da programação da 12ª ExpoPrata, evento que reúne criadores, produtores, empresas, instituições, gestores públicos e representantes de diferentes municípios do Cariri.
A presença do ministro transformou a feira em um espaço também de discussão sobre os caminhos que podem levar a produção regional a uma nova etapa.
Durante sua passagem pelo Cariri, Wellington Dias destacou a capacidade dos caprinos de se adaptarem às condições do semiárido.
Para ele, a atividade representa uma alternativa estratégica para a geração de renda em uma região marcada pela irregularidade das chuvas.
“Tem plantas e animais que convivem bem com a seca, com essa irregularidade de chuva e com a natureza da região. E nada mais do que o caprino, o nosso bode e a nossa cabra, como símbolo dessa convivência”, afirmou.
O ministro também destacou o protagonismo da Paraíba na produção de leite de cabra e avaliou que o estado pode avançar ainda mais se conseguir ampliar a organização dos produtores e a capacidade de industrialização.
A produção, que atualmente movimenta milhares de famílias e gera renda no campo, pode ganhar novas possibilidades com a transformação do leite em produtos de maior valor agregado.
R$ 38 milhões e compra de leite de cabra em pó
Durante a agenda, Wellington Dias informou a liberação de R$ 38 milhões para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade leite, e também destacou a aquisição de 37 toneladas de leite de cabra em pó, que serão destinadas à própria Paraíba.
A medida é apontada como importante para garantir mercado aos produtores e, ao mesmo tempo, utilizar a produção como instrumento de segurança alimentar.
A proposta, porém, vai além da compra do leite produzido pelos criadores.
Wellington Dias defendeu que a Paraíba avance na industrialização da cadeia produtiva, transformando o leite em produtos que possam ser armazenados, transportados e comercializados em outras regiões.
Entre as possibilidades estão o leite de cabra em pó, leite longa vida, iogurtes, queijos e outros derivados.
“Que tal se a gente puder ter leite de cabra longa vida, leite em pó, além do iogurte, do queijo e de tudo aquilo que se trabalha, permitindo que a gente possa vender da Paraíba para o Brasil e, quem sabe, para o mundo?”, questionou o ministro.
Para que esse projeto avance, Wellington Dias apontou o cooperativismo como um dos principais caminhos.
Na avaliação do ministro, a existência de várias cooperativas menores pode dificultar a obtenção de escala necessária para grandes contratos e para investimentos em industrialização.
Por isso, ele defendeu a criação de uma estrutura capaz de reunir diferentes cooperativas e concentrar a comercialização da produção.
“Eu tenho defendido, para não pulverizar demais, uma central de cooperativas. Junta várias cooperativas, cria um CNPJ e aí nós vamos ter escala de entrega de leite para garantir escala na produção de leite em pó”, explicou.
A proposta busca fortalecer o poder de negociação dos produtores, facilitar a comercialização e criar condições para que o leite produzido no Cariri possa alcançar mercados maiores.
Um dos momentos de maior repercussão da agenda foi quando Wellington Dias falou sobre a possibilidade de o leite de cabra produzido na Paraíba ser utilizado em programas internacionais de combate à fome.
O ministro afirmou que pretende retornar ao estado, ainda durante o atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para participar de uma entrega de leite de cabra em pó ao Programa Mundial de Alimentos.
“Eu quero ter o privilégio, ainda neste mandato do presidente Lula, de poder voltar aqui para a gente entregar leite em pó de cabra para o Programa Mundial de Alimentos”, declarou.
A possibilidade representa uma mudança de perspectiva para uma cadeia produtiva tradicional do Cariri. O leite produzido por pequenos criadores, que durante décadas teve como principal destino o mercado regional, pode passar a ser inserido em uma estratégia de segurança alimentar com alcance muito maior.
Além da agenda na Prata, o fortalecimento da cadeia produtiva também esteve em discussão entre o ministro e o Governo da Paraíba.
Nesta quinta-feira, o governador Lucas Ribeiro se reuniu com Wellington Dias e tratou justamente da possibilidade de instalação de unidades industriais voltadas à produção de leite de cabra em pó no estado.
Uma primeira unidade já está em desenvolvimento no município de Casserengue, no Curimataú paraibano. A proposta é agregar valor à produção, gerar empregos e ampliar as oportunidades para os pequenos produtores.
A discussão mostra que a produção de leite de cabra deixou de ser tratada apenas como uma atividade tradicional do interior e passou a ser vista como uma cadeia com potencial de industrialização e expansão comercial.
Nesse cenário, a 12ª ExpoPrata ganha importância ainda maior.
O evento reúne justamente os principais atores envolvidos nessa cadeia: criadores, produtores, cooperativas, empresas, instituições e representantes do poder público.
A presença de Wellington Dias colocou a Prata no centro das discussões sobre o futuro da caprinovinocultura e permitiu que os produtores apresentassem diretamente ao Governo Federal as potencialidades e também os desafios enfrentados no campo.
O prefeito Genivaldo Tembório destacou a importância da visita para o município.
“Receber o ministro Wellington Dias na Prata é muito importante para o nosso município. Tivemos a oportunidade de mostrar a força dos nossos produtores, da nossa caprinocultura e apresentar aquilo que estamos construindo. Essa aproximação com o Governo Federal abre caminhos para buscarmos novos investimentos e oportunidades para o nosso povo”, afirmou.
A agenda de Wellington Dias também tratou de uma questão mais ampla: como transformar as atividades econômicas do semiárido em instrumentos permanentes de geração de renda.
Durante a entrevista concedida no Cariri, o ministro afirmou que o enfrentamento da pobreza precisa estar associado a três frentes: emprego, empreendedorismo e cooperativismo.
A ideia é fazer com que programas sociais não atuem apenas como mecanismos de transferência de renda, mas também estejam ligados à criação de oportunidades para que as famílias possam aumentar sua capacidade de produção e geração de renda.
Nesse contexto, a caprinovinocultura aparece como uma atividade estratégica para o Cariri.
Uma nova oportunidade para o Cariri
A passagem de Wellington Dias pela Prata deixou uma perspectiva que vai além da realização de uma agenda ministerial durante uma exposição agropecuária.
O que está em discussão é a possibilidade de transformar uma das atividades mais tradicionais do Cariri em uma cadeia produtiva cada vez mais estruturada, com cooperativas fortalecidas, industrialização, novos mercados e participação em políticas de segurança alimentar.
Se os projetos defendidos pelo ministro avançarem, o leite produzido por pequenos criadores do semiárido poderá percorrer um caminho muito maior: sair das propriedades rurais do Cariri, passar pelas cooperativas e indústrias paraibanas e chegar às mesas de famílias em diferentes regiões do Brasil, e, no futuro, até mesmo integrar ações internacionais de combate à fome.
Para uma região acostumada a enfrentar as dificuldades da seca, a caprinocultura pode representar justamente aquilo que Wellington Dias destacou durante a visita: não apenas uma forma de sobreviver ao semiárido, mas uma oportunidade de produzir, gerar renda e transformar as características da região em vantagem econômica.
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